Complemento
(Um diário esquecido)
Foram 239 dias de combates. Ao todo 483 soldados brasileiros morreram. Ítalo voltou ao Brasil disposto a continuar a carreira militar, sua vocação de vida. Após a guerra, ele serviu em Caçapava (SP), onde conheceu a paulistana descendente de italianos Theodosia Provasi. Com ela casou no dia 28 de maio de 1947 e teve cinco filhos: Edna, Eliane, Elcio, Edson e Eduardo. Durante os anos na ativa, também serviu no Rio de Janeiro (RJ), Juiz de Fora (MG), Aracaju (SE), Brasília (DF) e Niterói (RJ). Entre os comandos, destacaram-se o 28º Batalhão de Caçadores (BC) e a 2ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM). Entrou para a reserva no posto de coronel, em 11 de novembro de 1976, sendo administrativamente promovido a general. Viúvo, casou novamente no dia 7 de fevereiro de 1975 com a também viúva Maria Eugênia Barrow, com quem não teve outros filhos. Em 1995, a convite do governo da Itália, esteve naquele país participando das comemorações dos 50 anos da libertação do país. Faleceu aos 79 anos, no Rio, no dia 9 de maio de 2002, sendo promovido a marechal para efeito de benefícios.
O conteúdo do seu diário de guerra, sobretudo nas críticas à atuação do comando brasileiro, embora partindo de um jovem tenente, poderia ser comprometedor a um oficial do Exército. Talvez por isso, ou talvez por se constranger das paqueras e do jovem que era – este jovem certamente ficou em parte na Itália – ele só mostrou o diário à mãe. E foi através de dona Dega que a mulher e os filhos souberam alguma coisa da guerra, pois durante todos os anos de vida Ítalo jamais voltaria a comentar aqueles dias. No entanto não se desfez do seu relato. Ao contrário, manteve-o sempre bem guardado, assim como os documentos anexados, talvez ciente da importância futura que ele poderia ter para registrar historicamente um pouco da verdadeira atuação do Brasil na II Guerra Mundial.

Italo, comandante do 28 BC, com o governador de Sergipe, Lourival Batista, e o filho Eduardo Diogo Tavares
Da última vez que estive com meu pai, no final de 2001, alguns meses antes dele falecer, perguntei mais uma vez sobre o diário. Eu disse que gostaria de ler e, talvez, editar. Ele sorriu e desconversou: “Não sei nem onde está”. Na linguagem silenciosa que desenvolvemos entre nós, era o mesmo que dizer: “Para que pressa? Ele está guardado. Um dia você vai ler”.
Eduardo Diogo Tavares,
Salvador, 28 de agosto de 2003
Escrito por ... às 11h28
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