Nós vimos a cobra fumar


Gênova, maio de 1945

Fomos hoje a Gênova, o conhecido porto do Norte da Itália. Nossa viagem não foi propriamente um passeio, pois fomos com a missão de levar o dinheiro da companhia para a sede do Banco do Brasil naquela cidade. Para aproveitar a condução, fomos eu e o Salies, o subtenente Otacílio e o motorista.

Saímos bem cedo, porém já era dia. Salies ia na direção. Passamos por Castelnuovo Ieriva, onde estava o PC do batalhão, para receber a permissão do oficial de motores para sair o Jeep. Passamos pelo centro da cidade. Cidade pequena, porém populosa, de ruas estreitas e calçadas de paralelepípedos. Ali recebemos do tenente Bite a permissão, partimos, passando por uma cidade onde está o 3º Batalhão do nosso regimento. Seguimos pela Estrada Real, que corta o Norte da Itália de um lado a outro e vai até Gênova. A estrada, como todas as estradas aqui na Itália, é tudo que se poderia desejar em obra de engenharia. De espaço em espaço vêem-se, nas muralhas que circulavam a estrada, frases patrióticas do fascismo, mandadas escrever por Mussolini.

Aos poucos a estrada vai subindo e circundando a montanha que separa o vale do pé do litoral da Itália. É um panorama lindo. De espaço em espaço vêem-se pequenos lugarejos à beira da estrada. Em alguns, de menos sorte, vêem-se vestígios da guerra. As pontes de um modo geral foram destruídas pelos alemães. As pontes de campanha, porém, substituíram bem as primitivas.

Agora temos a nossa frente um túnel pouco largo que é transposto pelo carro em grande velocidade. Não há perigo algum, pois as estradas são rigorosamente calçadas. Pode-se sem susto andar a uma velocidade de 100 quilômetros a hora. A viagem é longa e, apesar desta grande velocidade, levamos cerca de 45 minutos para cobrir todo o percurso de subida. Chegamos, enfim, ao alto da serra e agora, na descida, já se descortina ao longe a célebre Gênova e o mar imenso que a banha.

Para mim foi um espetáculo novo e emocionante, pois há bastante tempo não tinha ensejo de ver as águas tranqüilas do “Tirreno”. Num dos montes mais elevados vê-se um castelo que domina completamente a cidade. Aos poucos nos aproximamos da cidade e agora já distinguimos bem os edifícios e o porto. A curiosidade é grande, pois é a primeira vez que aqui viemos.

PRÓXMA ATUALIZAÇÃO SEGUNDA-FEIRA, DIA 30 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm


 



Escrito por ... às 22h40
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