Casei Gerola,10 de maio de 1945

Vista de Casei Gerola
Acordei hoje muito bem disposto. Tenho aproveitado bastante o descanso que ora nos proporcionam motivado pelo término da guerra. Sou sempre o último a levantar. Em compensação sou também o último a deitar, pois é raro o dia em que não vou a uma aldeia próxima dançar.
Ontem a festa no castelo estava regular. Não estava como desejaríamos, porque só foram convidadas famílias de uma posição elevada da cidade. Geralmente nestas famílias só se notam moças feias e encardidas. Para mim porém satisfez, pois minha dama preferida, a Irides, lá estava, aumentando com seu encanto a suntuosidade da festa. Cansei de dançar com ela. Já vai se iniciando entre nós dois um pequeno romance. A mãe dela não se opõe, pois é desejo dela que algum brasileiro leve sua filha para o Brasil. Ela é conhecida aqui na cidade por Argentina, pois lá nasceu, vindo ainda pequenininha para a Itália. Sua mãe recorda ainda com saudades os tempos passados na grande república sul-americana, onde havia, como diz ela, trabalho para todos e alimento em abundância.
O tenente Prates já é considerado noivo, pois está de namoro forte com a morena mais bonita da cidade. O Salies e o Onofre não querem saber de namoro. O Agenor também já está amando com alguma intensidade a Antonieta. O subtenente Otacílio não quer saber de namoro, porém não rejeita convite para ir dançar em Silvano Pietra.
Os dias passam-se rapidamente. Estamos aqui há pouco tempo e nos achamos já completamente ambientados. Cada um arranjou uma família amiga para conversar e se divertir. A população também já está completamente a vontade com nossa presença e muitos já conquistaram tanta simpatia que são considerados como pessoas da família.
Escrito por ... às 00h47
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Casei Gerola,9 de maio de 1945

Entrada do Castelo de Casei Gerola em 2002
Será hoje à noite o baile no castelo. Os preparativos são muitos. Durante o dia dormimos e descansamos bastante. Uma vez ou outra o capitão consegue algum vinho para se beber às refeições. O pessoal porém não liga muito a ele, pois passa o dia todo recebendo nas casas dos italianos.
Ontem à noite fui ao cinema com a senhorita Yolanda. Foi tudo tão casual. Estive na casa dos pais dela, onde bebemos eu, o tenente Agenor e o tenente Onofre alguns copos do bom vinho. Depois resolvemos sair. Eu iria ao cinema e o Onofre e o Agenor iriam para casa. Como a menina queria ir ao cinema e não tinha companhia eu prontifiquei-me a acompanhá-la. Que insigne honra! A Yolanda é uma das mais belas moças aqui da cidade. É loura e forte, desembaraçada. O que porém atrai qualquer pobre mortal são seus olhos de um azul celeste. Já apelidamos ela de “olhar de morteiro”, pois quando ela passa os olhos sobre uma pessoa parece que o pobre infeliz recebeu um tiro de morteiro na cabeça, de tão desequilibrado que fica.
PRÓXMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 10 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 21h26
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Casei Gerola, 8 de maio de 1945

Castelo de Casei Gerola
Continua a vida aqui seguindo o mesmo ritmo. Cada dia que se passa mais forte se tornam as amizades e outras e mais outras conquistamos. Já conheço toda a população da pequena cidade. Todos fazem questão de ter nossa amizade. Não sabem o que fazer para captar nossa simpatia.
Os alemães estiveram também aqui quando estavam de posse do Norte da Itália. Aqui, como em outros lugares, a conduta deles foi a mesma: brutais e desumanos. Nós, com todo nosso defeito, somos sentimentais e nosso temperamento se aproxima bastante do italiano, que é como nós um povo de descendência latina.
Durante o dia, como nada temos a fazer, dormimos. À noite então saímos a procurar um baile ou qualquer outra diversão. Já estão fazendo preparativos para aparecer uma festa para nós no castelo. Este castelo é uma verdadeira obra de arte. Sua construção data de antes do descobrimento do Brasil. Já sofreu várias reformas, porém conserva ainda as mesmas linhas imponentes. O dono, um dos grandes milionários da Itália, escondeu, como falam todos os habitantes de Casei, para que não caísse nas mãos dos alemães, todas as suas riquezas. Logo que aqui chegamos, como não havia lugar para instalar nossa cozinha, o capitão teve que lançar mão da garagem do castelo. Sendo assim, os nossos soldados comem todos os dias nos parques do castelo, debaixo das seculares árvores que lá se encontram. O dono do castelo cedeu a garagem para nossa cozinha a contragosto, porém agora está mais satisfeito, pois nossos soldados, compreendendo a responsabilidade que pesa sobre eles, não fazem má propaganda do Brasil. Utilizam os parques para fazer suas refeições sem danificar as plantas e observando todos os preceitos de higiene.
PRÓXMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 9 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 14h50
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