Casei Gerola, 7 de maio de 1945

Ouvindo o rádio às 4.30 horas, soube que às 2.30 horas o general comandante de todas as tropas alemães havia decretado a rendição incondicional de todas as tropas em operações. Agora não é só para nós que terminou a guerra, porém para todos os que lutaram na Europa. Dizem que o 5º Exército, do qual fazíamos parte, vai para o Pacífico continuar a luta contra os japoneses.
Ontem realizou-se a nossa festa. Conforme prevíamos, foi uma grande serata*. De oficiais, tínhamos nós da companhia e mais o tenente Machado e o tenente Castelo, da CPP, o capitão Almenor, o tenente Torres e o tenente Hélio. O elemento feminino que compareceu foi o melhor possível. Compareceram a Irides (Argentina), a Severina, a Antonieta e outras. De Voghera, vieram algumas convidadas da Rosetta. Eram ao todo umas 20 senhoritas. Até a Maria compareceu com o pai, porém não dançou nem uma vez. Ficou sentada assistindo a festa. Na hora do chocolate, eu e o Onofre fizemos questão de serví-la. Pouco depois, mais ou menos à meia-noite, ela se retirou com o pai.
Conheci uma morena de Voghia, devia ter uns 17 anos, de nome Maria Luiza. Com ela dancei grande parte da noite. Às vezes a revezava com a Irides e a Antonieta. Diverti-me muito esse dia. Creio que foi uma das melhores festas que houve aqui nesta cidade. O salão estava todo enfeitado. Nas paredes e no teto viam-se bandeiras brasileiras e italianas. Gastamos nesse baile, só em bebidas, 12.000 liras (2.400 cruzeiros). Todos, porém, saíram satisfeitos. Beberam à vontade o que quiseram: vermute, conhaque, vinho branco, vinho tinto, licores. Foi servido ainda durante a noite um café e um chocolate. Foram distribuídos chocolates, caramelos e cigarros.
*Festa, sarau
PRÓXMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 8 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 16h48
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Casei Gerola, 6 de maio de 1945
Hoje à noite será a festa. Estou, porém, um pouco aborrecido, pois terei que ir com uniforme de campanha, enquanto os outros irão com uniforme gabardine. Minha mala ficou pra trás e só chegará daqui a alguns dias.
PRÓXMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 7 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 00h04
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Casei Gerola, 5 de maio de 1945
Nos primeiros dias, como não tinha ainda chegado nossa cozinha, estávamos comendo ração fria. Íamos pois, sempre, à cozinha da casa esquentar nossa comida, mandar fritar alguns ovos, etc.. A dona da casa mostrou-se desde logo muito boa. Sempre prestativa e fazendo tudo na melhor boa vontade. O marido dela também é um senhor muito dado e muito educado. Oferecia-nos sempre vinho branco espumante. Ofereceu-nos logo a casa e pôs-nos completamente à vontade. A filha do casal, uma senhorita de 15 anos, muito bonita e muito delicada, se chamava Maria. Estava estudando em uma escola em Voghera, para onde ia toda manhã, voltando meio-dia.
Logo que chegou o rancho ficou estipulado o seguinte horário de refeições: o café da manhã às 9 horas (assim podíamos dormir à vontade), o almoço às 2 da tarde e a janta às 7 horas. Ainda havia um bar na cidade, onde podia-se quebrar o galho quando tinha fome. O menu, porém, não era muito variado. Do mesmo só constavam ovos, salame e batatas.
Domingo à tarde houve um baile oferecido a nós. Tratei logo de convidar a Maria. Porém, infelizmente pra mim, ela não dançava. Com a guerra, nunca tinha tido a oportunidade de ir a nenhum baile. Sendo assim, fui só. No salão havia muitas senhoritas bonitas, porém não dancei porque estava com pouca vontade. Fui apresentado pelo Agenor a Rosetta e Antonieta. Mais tarde me apresentou a Argentina e a Lúcia. Apesar de terem insistido para que eu dançasse, não dei o braço a torcer.
Depois houve outro baile na casa da Rosetta. Este, porém, apenas para os oficiais. A princípio não estava com vontade de dançar. Depois comecei a beber vinho e vermute. Não sei se foi por causa da bebida ou por terem insistido tanto, o certo é que resolvi mostrar minhas qualidades. Minha primeira dama foi a própria Rosetta. Agora não me recordo se tocava um tango ou uma valsa. O certo é que me desempenhei cabalmente de minha árdua missão. Dancei ainda algumas vezes. Às duas horas fui para casa dormir.
Toda tarde ando de bicicleta. Aqui todas as casas têm bicicleta. Há bem uma meia dúzia delas a minha disposição. Só aqui em casa há três, sendo que a que mais me agrada é da Mariazinha. Já desisti de tentar alguma coisa para o lado dela, pois é ainda muito jovem e nunca teve um namorado. Quando não há baile aqui, pego uma bicicleta e vou dançar nos lugarejos vizinhos; em Giola, Cornale, Silvano, Corona, Molino, etc.. É melhor, porque sendo desconhecido posso me divertir mais à vontade. Assim mesmo, de vez em quando aqui em Casei, sabem que dancei muito com uma certa pequena, que dancei toda a noite com uma outra e assim por diante. Dizem logo que estou fegato*. Assim, cada vez vou procurando bailes mais afastados daqui.
Esta manhã resolvemos fazer uma festa em agradecimento a que nos foi oferecida. Para isto cada um deu uma certa quantidade para comprarmos bebida ť contratar os tocadores. Resolvemos fazer duas festas: uma para os oficiais na casa da Rosetta e outra para os praças no salão do cinema.
A festa será amanhã à noite. Já foram organizados os convites. Se a entrada for livre, virá gente até de Milano, pois de certo se espalhará a notícia de que será servido um chocolate com bolos, balas e biscoitos.
*Ousado
Escrito por ... às 01h23
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Casei Gerola, 4 de maio de 1945

Saímos de Serreto a pé. Fomos até a estrada que passava lá embaixo. Tomamos os caminhões e partimos. Nosso destino era Casei Gerola. Passamos por Fornovo de Taro, onde até poucos dias atrás estava a divisão alemã que se rendeu ao nosso regimento. Havia uma grande quantidade de material deixado pelos mesmos. Alguns tanques semi-destruídos. A cidade não está muito destruída, pois os alemães pouco resistiram. A ponte sim que está completamente derrubada.
Passamos depois próximo a Parma e tomamos a direção do Norte. Passamos por Piaceniza e Florença. Depois Voghera, onde ia ficar o 1º Batalhão do nosso regimento. Por todo lado se vê os partizanos fardados, com metralhadoras e granadas. Depois que os alemães se entregaram eles apareceram como encanto de todas as partes.
Sete quilômetros depois de Voghera fica Casei Gerola, nosso destino. É uma cidade pequena, com uma média de 2.000 habitantes. Logo que chegamos, os pelotões foram alojados numa escola que havia na praça principal e única. Mandei procurar um lugar para ficar, pois agora que terminou a guerra preciso de uma certa comodidade. Finalmente acharam, na Via Roma, uma casa com dois quartos completamente independentes. Num deles fiquei eu e o Onofre, que não tinha ainda arranjado acomodações. No outro quarto ficaram os dois mensageiros: o Moreira e o Eloy.
Felizmente aqui em Casei está apenas a nossa companhia. O restante do batalhão ficou em Castelnuovo Scrivia, a seis quilômetros daqui. Assim é muito mais fácil controlar nossos soldados.
Escrito por ... às 01h22
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Serreto, 3 de maio de 1945
Soubemos que tinham cessado as hostilidades na frente italiana. Todos os exércitos alemães desta frente se haviam rendido incondicionalmente às nossas tropas. Agora estamos somente esperando o momento de embarcar de volta para o Brasil. Também já basta. Estes 11 meses de Itália já foram suficientes para sentirmos as agruras da guerra.
PRÓXMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 4 DE MAIO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 18h10
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