Abetaia, março de 1945
Fomos substituídos pelos negros americanos. A mesma divisão que nos havia substituído em Fabbriche e Galliano e que no Natal havia corrido, deixando todo o material. Começaram a chegar pela manhã e foram ficando na cidade. Na hora de subir, já havia vários debelados. Depois de vários entendimentos, eles começaram a subida. Alguns, porém, não queriam de nenhum modo subir. Um tenente preto como um carvão, de óculos, comandante de um pelotão de metralhadoras, queria subir só no dia seguinte. Foi preciso que o S-2 do batalhão, um capitão branco, convencesse-o a subir. O comandante da companhia que nos substituiu e o sub-comandante não quiseram subir. Resolveram deixar o PC da companhia cá embaixo.
De noite ainda havia negro subindo o morro. Muitos, cansados, abriam a manta e dormiam na beira da estrada. O nosso pessoal desceu logo e foi alojado nas casas da cidade. Só ficaram lá o capitão e os oficiais, que desceriam pela manhã.
No dia seguinte pela manhã, às 11 horas, deslocamo-nos de caminhão para Abetaia, onde iríamos acampar. No dia anterior, tinha ido com o S-1 do batalhão até lá para escolher o local para as companhias. Eu e o sargenteante balizamos todo o acampamento, escolhemos local para os pelotões, para a cozinha, para o PC e para a privada.
Chegamos a Abetaia às 2 horas da tarde. Armamos barracas e ficamos aguardando ordens. Estávamos nos preparando para a grande ofensiva. As tropas de toda a divisão foram todas dispostas ao longo da estrada de Abetaia, eixo de nosso avanço.
Ficamos ali alguns dias, comendo e dormindo. Domingo o nosso capelão veio rezar uma missa para nossa companhia. Grande parte da companhia tomou comunhão. Houve ainda, antes de sairmos desse local, outras missas.
Nós, os oficiais, ficamos primeiramente numa barraca que parecia a cabana de Pai Thomas, porque estava toda de banda. Depois armamos outra um pouco maior. Nela estavam eu, o tenente Salies, que havia sido ferido na Torre, mas já havia regressado do hospital; o tenente Prates, comandante do 2º Pelotão; o tenente Onofre, comandante do 3º Pelotão, havia sido promovido por atos de bravura; o tenente Agenor, que já regressara de Roma, e o capitão Souza Júnior, comandante da companhia.
Ali passamos uns dias agradáveis, recuperando as forças para a ofensiva que se avizinhava. Em Serrascício só comíamos ração fria, isto é, ração em lata. Aqui, porém, era a comida quente.
Uma noite resolvemos fazer um show. Reunimos o cabo Peixe, que toca clarineta, o cabo Marcílio, que toca violão, o Altivo, tocador de pandeiro, e nos divertimos tocando as músicas gostosas da nossa pátria.

PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO SEGUNDA-FEIRA, DIA 21 DE MARÇO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 18h43
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