Monte Serrascicio, 1º de março de 1945

Fomos ao PC do batalhão. De lá fui de Jeep para Poggiofiorito, onde estava o PC da companhia.
A companhia estava em Monte Serrascicio, de 1.380 metros de altitude. A subida para lá era muito íngreme e muito perigosa. Levava-se três horas para ir lá de baixo a lá em cima, tendo que passar por um rio no pé da montanha. A comida e a munição subiam em muares conduzidos por alpinos italianos. Era raro o dia em que não rolava um dos burros lá de cima vindo cair na grota em baixo. Os italianos aproveitavam a carne para comer.
Em baixo ficava o sub-comandante da companhia, o sargenteante*, o sargento Furiel, o pessoal do rancho e os encarregados de tomar conta dos sacos. Telefonei para o capitão. Ele me disse que era melhor eu não subir, pois as peças de morteiro estavam com os pelotões. Assim fiquei sendo o sub-comandante da área. O comandante era o tenente Agenor, muito camarada.
Passamos o dia todo sem ter o que fazer. À noite os alpinos promoveram um baile e vieram nos convidar. Como não temos orgulhos, comparecemos. Havia uma meia dúzia de garotas e mais de vinte soldados. Felizmente eles eram camaradas e de vez em quando nos deixavam dançar com uma.
Depois conheci a Fernanda, uma das moças de lá. Não era feia. Aliás, era bem interessante. Sabia dançar muito bem. A nossa diversão é assistir a chegada do pessoal que atravessava as linhas passando em cima das montanhas. Lá em Poggio há um posto da Polícia Militar encarregado disto. Às vezes chegam meninas muito bonitas.
*Primeiro-sargento mais antigo, encarregado de organizar os serviços gerais
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO TERÇA-FEIRA, DIA 8 DE MARÇO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 00h35
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