Torre de Nerone, 15 de dezembro de 1944
Hoje completamos três meses de front. Infelizmente só nós é que contamos o tempo, porque só nós é que sofremos e morremos. O nosso alto comando não está satisfeito com as glórias que conquistamos. Querem que seus nomes sejam adorados no Brasil. Enfim, querem ganhar a guerra. Lançam-nos, doentes e esgotados, em ataques impossíveis. As suas promessas não são cumpridas. Esqueceram tudo. A promessa de repouso após dois meses de combate ainda não foi cumprida, apesar de já serem 90 dias de martírio. Nós não vivemos mais. Além da doença, que a muitos atacou, há ainda o abatimento moral. Somos como cordeiros indo para o matadouro. O 1º RI e o 11º RI chegaram, mas nada adiantou.
Os nossos generais, que comandavam um regimento, agora não se satisfazem mais com dois e querem uma divisão. Os nossos dois regimentos que chegaram não têm a nossa fibra e o nosso valor. Temos que substituí-los sempre, pois eles não agüentam a mão. Enquanto nós aqui fazemos o impossível, o Serviço Especial lá na retaguarda dá belos e constantes shows para os do QG recuado. Calcule só, ainda deve estar este QG a quantos quilômetros da linha de frente, numa boa cidade, sem ouvir o estrondo de granadas. Ainda não satisfeitos com isso, publicam em um jornalzinho, “Zé Carioca”, que chega aqui onde estamos com uma semana de atraso, esse grande feito do Serviço Especial. É como se quisessem rir de nossa situação.
Estamos na Itália há quase seis meses. Pois bem, até hoje não tivemos uma só sessão cinematográfica, uma só irradiação radiofônica. No Brasil, nossas famílias que se cansem de mandar mensagens, porque elas se perderão no éter. Depois de tudo isso, as glórias vão para “eles”.

Mensagem oficial de Natal aos pracinhas na Itália
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO SÁBADO, DIA 1º DE JANEIRO DE 2005 http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 00h29
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