Torre de Nerone, novembro de 1944
Nossa posição é a mais avançada de toda a frente italiana. É a Torre de Nerone. Talvez algum dia este nome venha a sair na história de nossos feitos na Itália. Viemos substituir um regimento americano. A história deste regimento é simples. Ele estava em elevações situadas ao Norte da estrada Pistoia-Bolonha. Esta estrada neste terreno é paralela à frente. Durante três dias os alemães não deram um tiro, o que levou o comandante americano a ordenar o avanço até as posições mais à frente, que são muito mais altas e dominam completamente a estrada acima citada.
O comandante do regimento ponderou, talvez prevendo o que iria acontecer. Nada adiantou e o ataque foi feito. Ao atingirem as proximidades do objetivo, foram recebidos por tiros ajustados de metralhadoras e morteiros. Apesar de toda a resistência, a torre foi tomada. A companhia que a atingiu ficou com seu efetivo reduzido a cerca de 40 homens. Depois disso a posição ainda sofreu cinco contra-ataques, repelidos com pesadas perdas de ambos os lados. A posição, porém, foi conservada.
Quando chegamos ainda encontramos cadáveres de alemães. Alguns foram enterrados. Outros, porém, que estavam muito à frente das posições, ainda lá se encontram, pois é muito perigoso ir buscá-los.
Na torre, logo que aqui chegamos, caía uma média de 80 tiros de artilharia por dia, sem contar os que caíam nas suas vizinhanças, onde estava o resto da companhia. Destas granadas, grande parte era de canhão 88, o terror dos americanos. A velocidade do projétil é tão grande que o sibilo só chega depois que ele já explodiu. Falar perto de um americano em eight eight é tornar-se inimigo do mesmo para o resto da vida.
Os bombardeios diminuíram de intensidade, pois os alemães calculam que, devido ao tempo que estamos aqui, já devemos ter construído abrigos à prova das granadas 105 mm.