Pescalia, 2 de outubro de 1944
Fizemos uma patrulha a Fabbriche, uns 10 quilômetros além da nossa linha. Saímos às 11 horas e lá chegamos às 14 horas. A população nos recebeu festivamente. Ficou porém desconfiada quando soube que não iríamos permanecer lá. Ao chegarmos à cidade fomos surpreendidos com duas explosões dentro da mesma. Paramos todos. Um homem foi mandado para ver o que havia. Nada de novo. Os habitantes estavam fazendo explodir minas deixadas pelos alemães. Tomamos muito vinho e grapa. Regressamos às 16 horas e chegamos no acampamento às 19 horas.

Fabbriche
Conheci, por intermédio do cabo enfermeiro Paulo, uma família italiana. Gostei muito de todos, pois são educados e corteses. São um casal de velhos e duas filhas muito bonitas. Todas as noites agora vou à casa deles comer castanhas.
Nosso pelotão fez dois prisioneiros alemães: um tenente e um sargento que tinham fugido do campo de concentração em Pisa e tentavam atravessar as nossas linhas.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 3 DE OUTUBRO
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Escrito por ... às 19h44
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Pescalia, 1º de outubro de 1944

Postal de Pescalia anexado ao diário
Ainda permanecemos no mesmo local. Estou dormindo numa boa cama de casal com boas cobertas na casa do padre. Hoje foi dia de festa aqui na nossa igreja. Houve duas missas: uma às 8 horas e outra às 10. Fui à missa das 8. Durante todo o dia a igreja foi visitada pelos habitantes das redondezas.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 2 DE OUTUBRO
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Escrito por ... às 10h56
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Pescalia, 30 de setembro de 1944
Mudamos-nos do local onde estávamos. Vamos para uma aldeia um pouco à direita. Ficaram dois grupos perto da igreja e um outro um pouco mais à frente, numa casa vermelha.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 1º DE OUTUBRO
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Escrito por ... às 00h26
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Pescalia, 29 de setembro de 1944

Passamos o dia ainda na mesma posição. Saiu uma patrulha do meu pelotão até Pascoso, que fica a uns 7 quilômetros a nossa frente. Para isso levamos um guia, um italiano que conhece bem todos os caminhos daqui. Saímos depois do almoço, mais ou menos ao meio-dia. Deslocamo-nos pela estrada e chegamos à cidade às 2 horas. Lá nos esperava a população ansiosa. Nos receberam com flores e vinhos.
Encontramos lá com um italiano que tinha estado no Brasil. Apesar de fazer 31 anos que veio da nossa pátria, ainda fala bem a nossa língua. Chorou suas mágoas e contou-nos sua vida. Disse-nos ter dois filhos no Brasil, dos quais não tinha notícias há quatro anos. Visitamos depois a igreja do povoado e retornamos ao nosso local.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 30 DE SETEMBRO
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Escrito por ... às 01h59
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Monteacuto, 28 de setembro de 1944
Ontem à noite o mensageiro que acompanhou o portador da comida trouxe-nos uma ordem para às 7 horas estarmos no PC da companhia, pois íamos nos deslocar. Pela manhã partimos para o PC, onde chegamos na hora prevista.
Fizemos nossa primeira refeição. Às 9 horas nos deslocamos com o objetivo de atingir Pescalia. Avançamos até Fiano, onde se encontrava a 6ª Companhia. Depois descemos com direção ao nosso objetivo. Passamos por Convalle e outras aldeias menores. Às 3 horas, mais ou menos, atingimos a cidade. Pelo caminho tivemos que atravessar três pontes destruídas pelos alemães. Ocupamos a cidade. O inimigo já se tinha retirado para longe. Meu pelotão foi todo alojado num prédio que era um antigo teatro. Dormi, junto com o tenente Copérnico, na casa de um amigo italiano que arranjamos, o Alfredo. Nossa missão era cobrir uma estrada que saía da cidade na direção do inimigo.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 29 DE SETEMBRO
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Escrito por ... às 15h17
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Monteacuto, 27 de setembro de 1944
Recebemos ordem de ocupar Monteacuto, já conquistado pela 4ª Companhia. Nos deslocamos depois do café para aquele ponto. Como sempre penando, pois subimos e descemos vários morros. Atingimos nosso objetivo às 11 horas. Lá nos esperava o capitão Mendonça. Substituímos a 4ª, que se retirou para outro local. O capitão me disse que, no seu recuo, os alemães abandonaram seus agasalhos, sua comida e sua munição. Cada homem tinha já construído seu abrigo. Ali havia muitas granadas. Este morro favorece muito a defesa, pois domina todas as elevações próximas. A informação que recebemos é que o inimigo se retira para além dos Alpes de Pescalia.
Pescalia
Aqui na guerra não há a rigidez dos tempos de paz. Aqui nós tratamos os soldados como amigos e como compatriotas que sofrem como nós das agruras da guerra e das saudades da pátria distante. Aqui o soldado não toma a posição de sentido para falar com o oficial. Muitos dos que estão conosco têm suas mães e suas esposas na pátria distante. É preciso de vez em quando alegrá-los e falar-lhes sobre o nosso regresso. Aqui eu permito que os meus soldados se divirtam jogando baralho. Eles não jogam a dinheiro, pois o mesmo aqui não vale nada. Jogam para se divertir e para passar o tempo. Eu e o grupo de comando, quando é possível, dormimos numa casa. Os grupos de combate, porém, chova ou faça sol, têm que permanecer nos seus abrigos frios e úmidos. Quando voltar daqui terei em cada soldado um amigo e não um subalterno. Era preciso que nós vivêssemos a guerra para vermos como os soldados são bons rapazes e humanos como nós.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 28 DE SETEMBRO
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Escrito por ... às 08h12
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Bozzano, 26 de setembro de 1944

Bozzano
Nos deslocamos para o PC da companhia e depois para Bozzano, onde ficamos protegendo o flanco da companhia. Os outros pelotões estavam um pouco a frente. No seu avanço não tinham sido hostilizados por nenhuma resistência. A 3ª e a 4ª continuam a combater o alemão. Têm a sua frente posições de metralhadoras e morteiros. A nossa companhia tem por missão atacar Fiano, porém este ataque só pode ser realizado depois que Monteacuto for conquistado, pois este monte domina completamente a cidade.
Hoje à tarde foi-nos comunicado que não mais atacaríamos Fiano. Esse ataque será realizado pela 6ª Companhia.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 27 DE SETEMBRO
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Escrito por ... às 11h21
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