Villa Del Colle, 18 de setembro de 1944
Organizamos nossa posição e preparamos-nos para ficar ali. Fui com uns homens até umas casas, que ficavam a uns 800 metros para baixo de nossa posição. Comemos algumas maçãs e ouvimos algumas histórias das barbaridades praticadas pelos tedescos. À tarde toda nossa artilharia atirou. Os tiros eram de tempo e, como não estavam bem regulados, explodiam no ar. Depois soubemos que uma granada havia matado uma senhora e uma criança.
Mais tarde tivemos ordem de nos prepararmos para deslocar. O nosso objetivo era Casciana e Monsagerati. A informação que tínhamos era que havia 300 alemães em Monsagerati. Havíamos visto de fato vários vultos com o binóculo, porém não foi possível distinguir se eram alemães ou civis.
O nosso deslocamento começou às 20 horas. O major comandante do batalhão queria que o deslocamento começasse às 18 horas. Porém a ordem só foi mandada às 17.30. Como queria ele que, em meia hora, os soldados jantassem, preparassem suas mochilas, deslocassem para o Posto de Comando do capitão e recebessem a munição?
Saímos às 20 horas, assim mesmo apressando muito os preparativos. Quando nos deslocamos já estava tudo escuro. Nos deslocamos pela estrada em coluna por dois: uma coluna de cada lado da estrada. Passamos por Castagnoni e depois nos deslocamos por dentro do mato. Um terreno todo montanhoso. Só havia um estreito caminho, o resto era precipício. A noite era tão escura que os homens deslocavam-se colocando a mão no ombro do companheiro da frente. Assim mesmo ainda tivemos que interromper a marcha várias vezes, pois os soldados do morteiro, que conduziam a peça e que não podiam acompanhar a nossa velocidade de marcha, haviam se perdido.
Passamos por uma ponte destruída. Não se sabia se havia ou não minas e era preciso caminhar com muita precaução. A ligação entre o comando da companhia e os batalhões era feita por intermédio de pequenos rádios portáteis com alcance de no máximo dois quilômetros. De vez em quando ouvíamos as rajadas das metralhadoras alemães à nossa direita e à nossa esquerda. Deslocamo-nos assim esperando a qualquer momento encontrar o inimigo.
Quando estávamos chegando novamente à estrada, ouvimos um grande tiroteio à nossa esquerda, onde estava se deslocando a 6ª Companhia. Apressamos a nossa marcha, pois talvez tivéssemos que socorrer a outra companhia.
Chegamos assim em Villa del Colle de Loria. Todos nós estávamos esgotados. Já eram duas horas da madrugada. Eu não conseguia conservar os olhos abertos de tanto sono. Se o alemão chegasse naquele momento eu acho que pediria a ele uma boa cama. Em Colle de Loria paramos. Ali mesmo dormimos, pois era impossível continuar a avançar. À frente e à retaguarda foi feita a segurança. Apesar do perigo, dormimos o resto da noite, pois estávamos esgotados.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO AMANHÃ, DIA 19 DE SETEMBRO
http://diogotavares.sites.uol.com.br/diariodeguerraPRINCIPAL.htm
Escrito por ... às 00h40
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