Tarquínia, 5 de agosto de 1944
A segunda parte de nosso acampamento é aqui na cidade de Tarquínia. Para aqui chegar fizemos uma viagem de 12 horas de trem e mais seis horas de caminhão. Estamos acampados num local bem próximo de Tarquínia. Um local quase plano e quase sem vegetação. Bem próximo vê-se um cemitério aonde há uma bandeira americana. Ali há 600 americanos e 300 alemães enterrados. Mais além e para o outro lado vê-se um campo de aviação aliado com mais de 600 aviões. Mais longe, vê-se o mar, o ponto de união do Brasil com a Europa.

Acampamento das tropas brasileiras na Itália
Aqui na Itália não chove no Verão. Os italianos dizem que só choverá em outubro. Durante a viagem passamos por várias estações completamente destruídas pela aviação aliada. Os vagões todos quebrados e queimados. Passamos por várias pontes destruídas pelos alemães nas suas retiradas. Os túneis aqui na Itália são muito grandes. Nós levamos dentro de um 55 minutos e a velocidade do trem não era pequena.
Na viagem de caminhão, passamos por várias cidades bombardeadas. A que estava, porém, completamente em escombros, era a de Cisterna. Passamos também por Civitavecchia, mas nada vi porque estava dormindo.
Fui à cidade de Tarquínia hoje, sábado. Não está muito destruída, pois os alemães não resistiram muito. A cidade é muito antiga, foi fundada há uns cinco séculos. Os prédios são todos baixos. Em toda a cidade corre um muro de dois metros de altura. Ela é localizada em cima de um monte. Nela não se encontra absolutamente nada para comer e para beber. Só há refresco e sorvete. Há muitos barbeiros e livrarias, nas quais só se encontra papel para carta. Há um museu, onde se vêem esculturas feitas em pedra, de vários séculos antes de Cristo. Há também aqui um monumento aos heróis italianos da cidade, que morreram pela pátria na Grande Guerra passada.

Todos nós sabemos agora porque viemos à Europa para lutar. Não foi para defender a liberdade e a democracia, não. Foi para evitar que esta guerra se transportasse para o nosso país, que nossas famílias passassem miséria e fome, que nossas mulheres e crianças fossem torturadas, que nossas irmãs fossem brutalmente defloradas por esses semi-bárbaros, que se diferem dos outros da antiguidade por usarem novas armas.
Quando, pela manhã, o nosso pavilhão é hasteado, eu tenho certeza que a essa hora nossas famílias estão dormindo a salvo de todos os perigos. Só voltaremos depois que exterminarmos completamente esses traiçoeiros assassinos.
Em Nápoles, onde estivemos, soubemos da boca da própria população das barbaridades que eles cometiam. Fuzilar os velhos, cortar os dedos das criancinhas e os seios das mães. Numa casa eles mataram os rapazes e levaram as duas moças, deixando dois velhinhos com o coração partido.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO TERÇA-FEIRA, DIA 10 DE AGOSTO
Escrito por ... às 01h06
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