Nápoles, 16 de julho de 1944
Enfim, Nápoles! Numa manhã radiante de sol, vimos surgir os primeiros montes italianos ao longe. Aos poucos, fomos nos aproximando da terra. Ao penetrarmos na baía de Nápoles, a primeira coisa que vimos foi o grande Vesúvio. O gigante dormia. De sua cratera saía um pequeno fio de fumo. Ele, que destruíra povoações inteiras, que matara tanta gente, parecia inofensivo. Depois surgiu o cais. Por todo lado se notava os vestígios da guerra: o porto todo destruído, barcos afundados. Em cima de um navio destruído os americanos fizeram um cais. Milhares de navios coalhavam as águas da baía: barcos de todas as nacionalidades, transportes americanos, couraçados, cruzadores, lanchas de desembarque, navios hospitais, etc.. A defesa anti-aérea da cidade é feita pelas baterias anti-aéreas e por balões cativos. Cada navio tem preso um balão.

Desembarque das tropas brasileiras, dia 16 de julho de 1944
Desembarcamos. No porto nos esperava a delegação de oficiais brasileiros que estava na Itália. Fomos direto dali para o acampamento em Bagnuolo. De passagem, se notava nas casas do porto os sinas das bombas alemães.

Os generais Zenóbio e Mascarenhas no desembarque
O lugar onde acampamos é muito longe da cidade. Umas duas horas de caminhada, subindo e descendo os montes. É o lugar aonde o rei Victor Emanuel caçava nos áureos tempos. Dizem que é uma cratera de vulcão que há muitos séculos não tem erupções. O terreno mesmo parece provar isso, pois é uma poeira fina como talco. Ali, dizem os italianos, há muitos cadáveres enterrados.
Escrito por ... às 09h14
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Mediterrâneo, 1º quinzena de julho de 1944

Depois de vários dias de viagem, vimos, enfim, terra ao longe. Era esta solo africano. Depois surgiu a grande Fortaleza de Gibraltar. Um espetáculo impressionante se ver surgir ao longe aquele rochedo que há tantos séculos defende a entrada do Mediterrâneo. Atrás da grande fortaleza, via-se o Morro dos Macacos. Há uma lenda que diz que, enquanto houver macacos no morro, a fortaleza resistirá.

Os macacos continuam a ocupar o morro em Gibraltar
Penetramos enfim no Mediterrâneo. O grande mar é um gigante inofensivo. Suas águas verdes e paradas dão-nos a impressão de um grande lago. Ainda não sabíamos qual seria o nosso destino, se Nápoles, Orã ou Argel. No dia seguinte, vimos passar Orã e, mais tarde, Argel, duas grande cidades do continente africano.
PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO SEXTA-FEIRA, DIA 16 DE JULHO
Escrito por ... às 10h39
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